Estava um dia fantastico, tinha acordado com uma boa disposição incrível, talvez se devesse ao facto de ter passado a noite com aquele miúdo que ainda hoje e passados anos me deixa completamente louca.. Como é possível passado tanto tempo, os nossos corpos ainda se desejarem, ainda estarem em sintonia perfeita cada vez que se encontram? É algo que me transcende mas que para o qual sinceramente não procuro resposta.. Quero apenas aquele corpo, aqueles lábios, aqueles beijos, e os gemidos de prazer na hora H e a mítica frase final que lhe sai da boca, cada vez que se vem e geme de prazer ‘adoro fazer amor contigo’..
A esta altura respondo apenas ‘eu tambem’ enquanto penso pra mim mesma, de que amor ele esta a falar, afinal de contas isto é so sexo, foi sempre so sexo, mas ele nunca pronunciou tal palavra pra se referir ao que entre nós havia, mesmo que esporadicamente. Sou sincera, sinto-me confusa quando ele diz essas frases feitas, quase clichés do século passado e de muitos outros antes. Liguei à Lia, tinha que contar a alguém a noite louca que tinha tido até a poucas horas atrás. A Lia atendeu, e disse com tom de ironia:
- Estas sóbria?
Respondi-lhe no meu maior tom sarcástico
- Não, estou completamente bêbeda e a primeira pessoa a quem me lembrar de ligar foi a ti, em vez de a qualquer um dos bonzoes que se roçou em mim a noite passada, ahahah
Ela riu-se, bastante até, não estava à espera daquela resposta. Finalmente respondeu-me:
- Se me estás a ligar a esta hora, que pra ti ainda é de madrugada, é porque ontem foste pra Kapital e encontraste lá o Luis e acabaram a noite no vosso apartamento, e nenhum dos dois esteve a dormir.
Fiquei perplexa, ela realmente conhece-me bem, so lhe pude responder
- Como tu me conheces bem, nem me atrevo a dizer mais nada, ou a perguntar-te qualquer coisa. Ainda corro risco de me dizeres em todas as posições a que chegámos ao orgasmo, sim porque chegamos mais do que uma vez ..
Ela riu-se outra vez, adoro as reacções que ela tem quando lhe conto as minhas noites mirabolantes debaixo dos lençois, ou por cima, ou mesmo antes de chegar à cama.
Respondi aquele riso, com um - Será que podemos ir tomar um café agora?
Ela respondeu – Claro, passo por tua casa a buscar-te daqui a 15 minutos.
Desliguei. Nem 15 minutos depois ela apareceu. Fomos aquele café no Rossio, adoramos aquele café, vamos lá desde garotas.
Estivemos a falar horas, a contar os pormenores mais sórdidos da noite anterior. Ela já sabia de cor o que lhe esperava quando algo assim acontecia, comigo ou com uma delas.
Ao fim da tarde cada uma foi pra seu lado, cheguei a casa e recebi uma mensagem dela
‘Cada vez me divirto mais com as tuas historias, love you’ – estava a responder-lhe quando nesse preciso momento o Luis manda mensagem e fiquei estarrecida no sofá a ler
‘Adorei a noite, cada vez adoro mais os momentos contigo, não consigo tirar a noite passada da cabeça’.
Não consegui responder, deixou-me sem palavras o raio do miúdo, adormeci no sofá e sonhei com aquelas noites todas que já tínhamos passado juntos.
Cléo

Adoro simplesmente a forma como escrevem, sem papas na lingua sem qualquer tipo de preconceito! Cá vou lendo sempre que haja novidades!
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