27/Agosto/2008
A nossa relação já tinha terminado há cerca de um ano. Lisboa tinha passado a ser a minha nova casa e tudo o que eu queria era que não voltasses a entrar nela. Naquele dia quente tinha combinado um almoço com a Ariana nos armazéns do Chiado. Tinha deixado a Cleo no Rossio e segui.
-Carlota, finalmente.
-Calma, já cheguei. Disse isto enquanto me sentava. Quando olho para o lado esquerdo reparo que estavas na mesa ao lado.
-Fodasse Ariana o Vasco está ali ao lado.
-Não posso. Diz isto e olha para o lado e fica boquiaberta.
-Não acredito nisto, Lisboa é enorme e este parvo vem para aqui?
-Tem calma, isto resolve-se. Trocamos de mesa?
-Sim. Levantamo-nos e fomos para a ultima mesa que havia o mais longe possível deles.
-É bom que não tenha a infeliz ideia de vir para este lado.
Ignoramos tal coisa e começamos a nossa conversa finalmente.
-Tens um monte de tretas para me contar que eu já sei. 2 meses sem mim e é logo uma lista de coisas. Podes começar.
Enquanto dizia isto riamo-nos. Mensagem, “Podes ter trocado de mesa com a intenção de que não te visse, mas falhas-te. “
-Lê-me isto. Passei-lhe o telemóvel para a mão.
-Não posso. Desata a rir-se.
-Estas lixada, ele vai querer falar contigo. Ria-se de mim.
-Então que venha falar. Achas que me importo? Resposta a mensagem “ Pelos vistos falhei, mas tu continuas a ver tudo. Impressionante. Nem aqui me dás sossego.”
-Carlota ele vem ai.
-Deixa vir.
Puxou a cadeira e sentou-se ao meu lado.
-Ola Ariana.
-Ola Vasco.
-Carlota.
-Palhaço. O que é que queres?
-Agressiva na mesma, não mudas. Falar contigo não se vê?
-Vai logo directo ao assunto Vasco, não tenho tempo.
-Engraçado o facto de nunca teres tempo.
-Dizes de uma vez ou desando daqui para fora? Era mais que evidente que ele ainda me atraia. Não era propriamente o rapaz mais feio do mundo, muito menos o corpo mais mal feito.
-Calma. Pousa o cotovelo em cima da mesa e mexe nos caracóis. Tipo dele.
-Quando é que vamos beber café?
-Não sei, nem pretendo saber.
-Sabes sim, Logo a noite vens beber café comigo e se respondes que não desanimo.
Irritava-me tanto que ele fosse irónico. E não resistia a dizer que não quando tinha a porra da vontade de estar com aquele merdas.
-Não se posso Vasco, depois mando-te mensagem.
-Ok, as 22 no hard Rock.
-Vasco? Enquanto chamava já ele se tinha levantado e estava na mesa dele.
Sim, tinha ficado com vontade de estar com ele, quando sabia já de antemão onde aquilo nos ia levar.
-Ou seja, esta noite é Vasco e o seu apartamento, já percebi. Ela dizia aquilo em tom de gozo e ria-se sarcasticamente.
-Provavelmente. Mas agora não á Vasco para ninguém. Siga para o café que passamos lá a tarde para compensar esta porra de tempo sem ti.
Saímos e fomos até ao café do costume. Sempre que íamos a Lisboa era lá que parávamos. Foi a tarde inteira a falar de tudo e de nada.
20.00
Chego a casa. Pouso a mala e descalço-me. Sigo até a casa de banho, ligo o rádio, aumento o volume e tomo banho. Saiu embrulhada na toalha para o quarto e a porra daquele gajo não me saia da cabeça. O que queria ele falar comigo já eu sabia. Era inevitável. Começava sempre na conversa e acabava na cama. Era certeiro. Meti o vestido, os brincos, as sandálias e fui até a cozinha. Fiz o jantar, arrumei a cozinha e meti-me no sofá.
Mensagem “Se quiseres posso te apanhar em casa e assim levávamos só um carro.”
Esperto. Levávamos só um carro? Sim, a mesma conversa de sempre. Mensagem “Não te preocupes com isso eu levo o meu carro. ate já”
22.15
Saiu de casa. De onde estava a viver, até lá eram cerca de 15 minutos ou seja o tempo ideal para ele esperar.
Entro e fico perdida a olhar para ele. Estava a coisa mais beta que havia e estava demais.
-Possa, esse aparato todo para mim? Sento-me e riu-me com gozo.
-Claro. Pisca o olho.
Típico, típico, típico. Mania de que é bom, o que não deixa de ser verdade, e mais mania por saber que o é.
-O que é que andas a fazer por Lisboa? Não és daqui.
–Olha que tu também não, vim até casa de um amigo passar umas semanas.
Boa, o Vasco em Lisboa por semanas, não ia ser coisa boa.
-Há então esta bem. Digo isto e mexo o café que ele tinha pedido para os dois.
-Então e namorado Carlota?
Irritava-me tanto quando me tratava assim e fazia perguntas com outras intenções.
-Olha Vasco não tenho namorado e não faço intenções de ter alguém nem nada que se pareça com tal coisa. Portanto não te metas com mais perguntas dessas porque não te vai levar a lado nenhum.
Não mintas Carlota, sabes perfeitamente que se ele continuar a puxar a conversa isto não acaba aqui.
-Não era minha intenção ofendê-la, já reparei que esta sensível hoje.
-Para de falar como se fosses parvo.
-E tu para de te armar em durona.
-Não estou a ser durona, apenas realista.
-Realista? Oh por favor, estas a ser tudo menos realista.
-Para lá com isso porque isto vai descambar Vasco.
-Que descambe.
-Se é para isso vou já embora.
-Levanta-te então.
Fica a olhar para mim seriamente. Não conseguia descolar o olhar quando era assim. Olhei para a mesa.
-Porra Vasco, diz la o que queres de uma vez e pronto.
-Ora o que eu quero? Como assim?
-Não me faças de parva. E diz logo.
-Queres que seja directo?
-Arra, sim já te disse.
-Quero uma noite contigo.
-Vai gozar com outra pá.
Levanto-me, pego na mala e saiu. Ironicamente tive vontade de lhe espetar um daqueles beijos de quem não se vê há meses e tem uma vontade súbita do outro. Eu tinha uma vontade súbita do corpo dele. Mas não, segui.
Como era de esperar ele vem atrás de mim.
-Opá, estas a ser criança.
-Eu criança? E tu o que estas a ser? Deixa-me adivinhar… Cabrão mais uma vez?
-Não é mais uma vez, nunca fui.
Ri-me a gargalhada.
-Não me faças rir Vasco. Por favor.
-Para com isso.
Aproximou-se e pronto. O que eu esperei a tarde toda tinha acabado de acontecer.
-Satisfeito?
-Não. Onde tens o carro?
Disse-lhe mais ou menos o sitio.
-É na boa então, ninguém te mexe nele. Anda comigo.
Não tinha outra hipótese se não ir porque ele não me largava a mão. Entrei no carro dele e seguimos até casa.
-Para onde vais?
-Para casa do João.
-Opa, esta gente em casa não vou para lá.
-Não está nada gente em casa, eles saíram todos.
-Vasco….
-Calma.
Em 10 minutos metemo-nos em casa do tal João. Diga-se de passagem que de pequena não tinha nada. Estacionou o carro, saímos.
-Isto não pode ser assim. Não esta bem assim.
-Cala-te .Vamos embora daqui .
Entramos em casa e aquilo era enorme. Fiquei abismada com o tamanho de tal casa e com a quantidade de coisas que tinha. Ele pega na minha mala e atira-la para um canto. Pega em mim e leva-me pelas escadas. Enquanto as subia comigo atrás dele puxa-me para dentro de um quarto. Fecha a porta a chave e acende a luz do candeeiro.
-Quero que sejas minha esta noite.
-eu se vim contigo não quero ser tua esta noite. Burro. Apaga essa porra e vamos embora.
Riu-se. Agarrou-me pela cintura e sentou-me na cama. Naquele quarto só se via uma ligeira claridade vinda das luzes do jardim. Ouvia apenas a respiração dele, cada vez mais perto de mim. Colou a boca dele á minha e sussurrou:
-As saudades que tinha disto.
Mexi-lhe nos caracóis e puxei-o para mim. Desabotoava a camisa enquanto as mãos dele me percorriam as pernas e subiam o vestido. Tirou-o. Despi-lhe a camisa e passei a mão no peito dele. Tirei-lhe o cinto e as calças enquanto que as mãos dele passavam pelo peito e desciam a barriga. Mordia-me o pescoço enquanto eu lhe arranhava as costas. Pegou em mim e rodou-me. Coloquei-me em cima dele. As mãos dele percorriam as minhas costas e tiravam a pouca roupa que restava.
Lá fora ouvia-se o vento. Naquele quarto apenas existia um corpo e prazer. Pegou em mim e voltou-me a colocar debaixo dele e as mãos dele agarraram as minhas pernas. A boca dele percorria o meu corpo, e as minhas mãos o dele. Foi a primeira noite depois da separação, onde o prazer misturado com a raiva levaram a que a partir dai, não pudesse existir mais nada separado.
Carlota


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